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“Eu sou a ressurreição e a vida”

Cobre-se de saudade e ao mesmo tempo se ilumina de esperança o nosso coração, oferecendo hoje preces pelos nossos mortos.

Porque a Igreja celebra o dia de todos os fiéis defuntos? Porque esta ênfase ao termino da existência? Isto porque a morte não constitui, para o cristão, o fim de tudo, mas tem uma conotação de passagem.

Passa-se para uma outra realidade. Inicia-se uma vida nova onde não existem lágrimas nem dor. É a ressurreição. A morte é a porta para a ressurreição. Ressurreição em função da qual transcorre toda a vida do cristão. É neste sentido que São Paulo afirma ser vã toda nossa vivência cristã, se não fosse a ressurreição. A morte é a condição para entrar na Vida Eterna: este é o plano de Deus, e nós o aceitamos com serena confiança.

Para o cristão, portanto a morte não é um fim, mas uma passagem. A morte é um mistério que se aprofunda quando perguntamos: qual o sentido de nossa vida, se temos de morrer? Porque a morte, se no fundo de nosso coração existe o desejo profundo de viver sempre? E depois, o que nos espera? Jesus Cristo iluminou a obscuridade que envolve a morte. E somente à luz da fé podemos dar uma resposta a este problema. Somente a fé cristã projeta um clarão de esperança sobre este mistério. Depois da morte e ressurreição de Cristo, a nossa morte tomou um sentido para nós. Não precisamos encará-la com pessimismo e desespero, mas com o coração cheio de esperança. Nossa morte, como a de Cristo, é a passagem para a vida definitiva em Deus, para a imortalidade na casa do Pai do céu. Depois da morte virá a ressurreição. Cristo apontou-nos a morte como o início de uma nova vida, tal como a semente que, apodrecendo sob a terra, um dia germina. Com a morte não termina tudo, mas, pelo contrário, tudo começa. Como a semente que se faz árvore, nosso corpo germinará num corpo mais puro. Mas essa passagem não deixa de ter seu aspecto doloroso, como a morte de Cristo. Toda a vida nasce através de um parto doloroso; também a eterna. É o mistério da Páscoa. A morte não é, pois o fim, mas a passagem necessária para a vida nova em Cristo. “Para os que crêem em Deus, a vida não é tirada, diz a liturgia, mas transformada”. “É desfeito o nosso corpo mortal, mas é dado no céu um corpo imperecível”.

Não nos esqueçamos entretanto que a nossa morte será o resultado de nossa escolha de cada dia. A vida presente é uma preparação para a futura. É  aqui na terra que se começa a construção do Reino de Deus. Para aqueles que souberam amar a Cristo e a seus irmãos a morte será o encontro definitivo com o Cristo ressuscitado e com aqueles que amamos aqui na terra. Para os que se fecharam no seu egoísmo e se escravizaram, ela será o fracasso final, a desilusão perpétua. A vida e a morte eterna estão à nossa escolha, são frutos de nossa escolha.

O cristão vive a certeza da Ressurreição. A lembrança das pessoas queridas, cujos nomes são pronunciados com saudade, faz crescer a nossa esperança de um encontro feliz na eternidade.

Oremos, sim, pelos nossos mortos. Mas vivamos de tal maneira que, em todos os momentos, possamos testemunhar que Jesus Cristo é a Ressurreição e a Vida.

Renovemos hoje nossa resposta à afirmação de Jesus, em que nós acreditamos: “O que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e o que vive e crê em mim, não morrerá eternamente” (Jo 11,25).

Pe. Raymundo Gomes de Oliveira

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