O jejum cristão se faz pensando em Jesus e por causa de Jesus. O jejum não é um fim em si mesmo. Antes, é um meio de abrir-se para o Messias que vem. Assim afirma Jesus: “Dias virão em que o noivo será tirado do meio deles, então, eles jejuarão”. Na ausência de Jesus, seus Discípulos deveriam voltar a jejuar.

Jesus nunca foi contra o jejum. Ele mesmo deu provas disto: antes de começar a sua vida pública, jejuou durante quarenta dias e quarenta noites. Em Mt 6,16 ele nos ensina como jejuar...

Devemos, portanto, aprender de Jesus o jeito e o momento certo de jejuar. O jejum deve ser feito como de conversão e sinal de solidariedade para com os mais sofredores.

Tempo da quaresma é tempo de intensificarmos a nossa vida de oração, nossa vida de penitência simbolizada pelo jejum, tempo de intensificar nossa vida de caridade simbolizada pela esmola. Mas oração, jejum e esmola não têm valor e nem sentido se não forem acompanhados por atitudes de caridade, de solidariedade e de justiça. É o Profeta Isaias que nos ensina tudo isso. Ele afirma claramente que jejum que agrada a Deus é “dar pão a quem tem fome, é vestir o nu, acolher em casa os pobres peregrinos” (Is 58,7).

Por isso, peçamos a Deus que nos conceda a graça de acompanhar a nossa penitência para que vivamos interiormente as práticas externas da quaresma, isto é, que a prática da oração, da penitencia, da caridade possa nos ajudar em nosso processo de conversão que deverá acontecer todos os dias e intensificar-se neste tempo de preparação para a Páscoa.

Todos nós temos necessidade de nos renovarmos a cada dia, para evitarmos o pecado, e não há ninguém que não deva se esforçar para progredir sempre mais no caminho da perfeição, como disse Jesus: “Sede perfeito como vosso Pai do céu é perfeito” (Mt 5,48).

Façamos esta oração todos os dias ao levantarmos: Senhor ajuda-nos, hoje, a ser melhor do que ontem! Mas rezemos com fé e confiança na certeza de sermos atendidos, como nos prometeu Jesus: “Pedi e vos será dado” (Mt 7,7).

 

Pe. Narcizo Pires Franco